CABEÇALHO1

Image Map
Mostrando postagens com marcador Diário de Bordo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diário de Bordo. Mostrar todas as postagens

23 janeiro 2013

Diário de Bordo #12




Olá, viajantes.
Como tem passado? Então, vou ser breve: O escrito de hoje é forte, talvez o mais forte que eu já tenha escrito, então, se não se sentir a vontade pode abandonar a leitura sem culpa e dizer que o fez nos comentários (opiniões sinceras são muito importantes, então... Vamos lá?

TESTE


03 janeiro 2013

Diário de Bordo #11



Olá, Viajantes. Como passaram o révellion?
Tenho alguns textos e um conto curto prontos e depois de muito pensar sobre qual mostrar primeiro optei por um que é, na verdade, um relato bastante pessoal já que constantemente sofro com crises hepáticas, causadas por nada mais nada menos que excesso de gordura no fígado, o que me leva a refletir que até nisso sou do contra, tendo em vista que no meu caso “O que mata, também engorda”. Então, em meio a uma dessas malditas crises, escrevi isso na janelinha de mensagens do facebook enquanto conversava com uma amiga e, com toda modéstia do mundo, gostei um pouco e resolvi salvar. Enfim, a introdução está ficando maior que o texto em si, então... LET’S READ!



Divagações entre crises hepáticas

Hoje me sinto poderoso. Que engraçadas são as pequenas coisas, não? Sinto que tenho o destino da minha vida em mãos, o que não é de todo mentira. Sinto-me forte por poder optar entre destruí-la ou deixá-la em paz. Consegue compreender?
 
Tenho um chocolate no bolso esquerdo da calça. Sim, um chocolate simples. Um Sonho de Valsa para ser mais exato. Ele talvez seja meu último. A última vez que o açúcar e o cacau diluídos me descem a garganta. E fico me perguntando "Se ele for mesmo o último; Atrevo-me a saboreá-lo ou continuo vivendo?" e opto por deixá-lo aqui, juntinho a mim, como um inimigo invisível. Só para continuar me sentindo assim, dono de minha própria vida.
 
Não o comerei; Isto é certo. Não hoje, ao menos. Que sei eu para falar sobre o amanhã?
 
Sim, farei isso. Uma piada interna: Ter o meu inimigo no bolso, tocá-lo, mas não dar-lhe o doce gosto da vitória; ou será que o contrário? Sim, até faz mais sentido agora que paro para pensar. Portanto, refaço minha última sentença: "Ter o meu inimigo no bolso, tocá-lo, mas não dar-me o doce gosto da derrota".

Caleb Henrique


Então, é isso. Espero que não tenham sorrido demaiMENTIRA! Podem rir à vontade. Mas e então, vamos conversar um pouco? O que têm lido? O que querem ler? Já estão fartos dos meus textos nonsense? Alguma sugestão para o blog? Para o blogueiro? Haha. Sei lá, me falem o que quiserem. Acho uma delícia conversar com vocês! E não falo isso da boca pra fora.

Assim me despeço, com a promessa de voltar.

25 dezembro 2012

Diário de Bordo #10


Puxa vida! O ano passou voando, JÁ É NATAL! Mais uma semana e tudo começa outra vez. Enfim, o Diário de Bordo dessa semana seria um texto curto e pessoal, mas como o post cairia justamente no dia de natal, resolvi caprichar um pouco. Não acho que já tenha contado aqui, mas após ler "A Pequena Vendedora de Fósforos" (que por sinal possui um lindo curta-metragem), quando criança, fui tomado por uma tristeza imensa que passou a me acompanhar em todos os natais consecutivos. Então meu conto de hoje é justamente inspirado nisso. Estão preparados?

DEAR SANTA

Coloquei o livro cuidadosamente sob a mesinha de cabeceira com um aperto no coração e beirando às lágrimas carinhosamente corri a mão pela capa, como se assim pudesse fazer um afago na garotinha da história. Na capa podia-se ler “Contos de Andersen” em uma bela tipografia dourada. Havia acabado de ler A Pequena Vendedora de Fósforos e, por pura coincidência, faltava pouco mais de uma semana para o natal. Pensei nas crianças de uma comunidade próxima e em como seriam seus natais. Será que alguma delas passaria pelo mesmo que a garotinha? Em meio a essas dúvidas fui tomado por uma súbita vontade de fazer algo. Então abri a gaveta, peguei o pouco dinheiro que tinha guardado e saí guiado por meu coração. Não sabia onde estava indo, mas não parava de caminhar. Estava prestes a atravessar a rua quando ouvi uma buzina ensurdecedora e percebi que havia me esquecido de conferir se o sinal estava aberto. Estava. Enquanto esperava, corri com os olhos os conhecidos prédios comerciais e, talvez pela primeira vez na vida, prestei atenção em um cartaz colado na parede do velho prédio dos Correios, onde se lia: “Seja um Papai Noel, adote uma cartinha!”. O semáforo enrubesceu. Atravessei a rua, caminhei até lá e pensei “Por que não?”.

Entrei no prédio, me informei com uma atendente sobre o projeto e expressei meu desejo de fazer algo por uma daquelas crianças. Fui automaticamente retribuído por um sorriso sincero dela que me pediu para aguardar um momento enquanto ia buscar uma cartinha. Não demorou muito e ela estava de volta com a cartinha em mãos. “Uma garotinha trouxe essa cartinha há pouco mais de uma hora. Eu mesma ia adotá-la, mas algo me pediu para entregá-la a você.” disse com um meio sorriso, como se ainda estivesse pesando se fez ou não o certo ao me dar a carta da garotinha. Pensei em devolver, dizer que não tinha problema e eu aceitaria qualquer outra, mas não consegui conter a curiosidade de saber o que aquelas letrinhas pequenas, tremidas e em alguns pontos enladeiradas pediam. A carta dizia:


“Querido papai Noel,


A mamãe diz que você não existe. Que não passa de uma história que os pais de crianças ricas inventaram para dar presentes escondidos no Natal. Mas eu não acredito. Por favor, não leve a sério o que ela diz. Ela trabalha muito e está sempre se esforçando. Quando eu choro ela diz que a vida é difícil e que só está tentando me proteger, por isso ela não me deixa ajudar no trabalho e me manda para a escola. Diz que não quer que eu tenha uma vida igual à dela. Que quer que eu seja alguém. Mas eu sempre digo que ela é alguém. Ela é tudo o que eu tenho e é triste vê-la chorando escondida quando não consigo dormir. Todo ano ela me diz que vai tentar preparar uma ceia de natal para nós duas, parecida com aquelas das novelas, sabe? Com peru e tudo mais, porque diz que sempre sonhou com uma ceia daquelas na infância, mas agradecia por ter qualquer coisa para comer com os irmãos. Então, Papai Noel, escrevo essa carta por ela. Por que meu melhor presente seria ver um sorriso no rosto da minha mamãe. O senhor viu que fui uma garota obediente e tirei notas boas, não viu?

Beijos da Suzana.”


O aperto em meu coração crescia e eu quis dar o melhor natal que aquela criancinha pudesse ter. Olhei para a atendente, que usava um gorrinho e me olhava apreensiva e disse “Será uma honra adotar a carta dessa pequena e singular criança”, ela sorriu novamente. Saí com a carta em mãos dizendo que logo voltaria com o presente. Fui ao supermercado mais próximo e comprei o máximo de gostosuras que pude e, claro, o Peru e pedi que empacotassem em uma cesta. Antes de voltar até a agência dos correios passei em uma loja de brinquedos e comprei a boneca mais bonita e um exemplar dos Contos de Andersen, onde pus um bilhete desejando que aqueles contos pudessem tocar seu coraçãozinho da mesma forma que sempre tocaram o meu. Também comprei alguns carrinhos, bolas e mais algumas bonecas para presentear às crianças da comunidade próxima. Ao entrar novamente pela porta dos correios fui outra vez recebido pelo sorriso aberto daquela atendente. Entreguei a cesta e o pacote com a boneca e o livro, dizendo que ela também merecia um natal feliz. Expliquei que comprei alguns presentes para as crianças do bairro próximo ao que ela sorriu encantada e me elogiou pela iniciativa. Ficamos papeando por alguns minutos e descobri que ela era voluntária todos os natais, porque não havia recompensa maior do que ver as crianças sorrindo ao receber seus presentes e que sonhava com o ano em que conseguiriam atender a todas as cartinhas. A atitude dela me encantou e eu perguntei se também poderia a ajudar nas entregas. Ela abriu um sorriso de orelha a orelha dizendo que seria ótimo e senti meu coração aquecer. Chamou o supervisor e explicou minha vontade. Anotaram meu nome, celular e disseram que me ligariam em breve. Despedi-me e caminhei até minha casa com uma felicidade ímpar.

Alguns dias se passaram sem que eu fosse contatado por ninguém. Talvez não fossem precisar da minha ajuda, afinal. Eu mesmo entregaria os presentes às crianças próximas, se fosse o caso.

Faltavam três dias para o natal quando um número desconhecido ligou, atendi e fui surpreendido pela voz da atendente que me entregou a carta. Ela estava animada e tagarelou um pouco sobre como ia ser legal. Marcaram de vir me buscar às 17h da véspera de natal e me trariam uma fantasia de duende, o que ela me contou entre risadas, dizendo que também precisaria usar uma.

No dia e hora marcada, bateram em minha porta. Deparei-me com a Mamãe Noel mais instigante que já vi em toda minha vida, porém, com os lábios franzidos ao invés do habitual sorriso escancarado; Perguntou se podia entrar ao que eu rapidamente assenti; Pedi que sentasse para me explicar o que havia acontecido. “O nosso papai Noel sofreu um acidente e não temos mais ninguém para substituí-lo. Seria muito abuso pedir para você assumir o lugar dele?”. O pedido me pegou de surpresa, tendo em vista que eu sempre fui muito tímido, mas eu sabia que não podia deixá-la na mão agora e com um menear perplexo de cabeça assenti. Os olhos dela brilharam e antes que pudesse perceber estava sendo abraçado ao som de muitos “Obrigada”. Depois de muito enchimento improvisado a roupa serviu. Fiz alguns movimentos para testar, afinal, seria uma completa desilusão para as crianças ver o Papai Noel desmontando-se como uma farsa completa e improvisei alguns “HoHoHo’s” que ela calorosamente aplaudiu. Pintou-me e colocou o bigode e a barba nos seus devidos lugares. Mesmo com todo nervosismo estávamos prontos.

Passamos primeiro na comunidade próxima, onde fomos recebidos por sorrisos de alegrias tão sinceros que não encontro palavra justa o suficiente para descrever o quão gratificante eles foram. Foi assim a cada bairro e cada criança. Meu coração estava aquecido, mais do que já estivera em toda a vida. Eu finalmente entendi o que a atendente quis dizer quando descreveu a sensação de se voluntariar e receber esses sorrisos como pagamento. Mais um pouco e estaríamos na última casa, é, a da garotinha que rogou pela mãe. Eu estava particularmente nervoso com aquele último presente. Qual seria a reação daquela garotinha tão única e o que pensaria à mãe? Era hora de descobrir, pois o motorista acabara de frear em frente à pequena casinha de pintura descascada. Descemos e batemos à porta. Fomos recebidos por uma mulher de roupas gastas e expressão desconfiada e uma pequena garotinha de olhos curiosos agarrada em sua saia. A garotinha pulou ao me ver e seus olhos pareciam estrelas com a intensidade daquele brilho. Abri um sorriso e soltei um sonoro “HoHoHo!”, ela saiu de trás da mãe e veio até mim. “Então você é a pequena Suzana, certo? Você foi uma garota bem comportada esse ano, não foi mamãe?” disse. A mulher assentiu desnorteada e ainda incrédula. “Por isso eu não podia deixar de atender seu pedido.” e ao dizer isso peguei a cesta recheada e me dirigi à mulher a quem entreguei dizendo “Parabéns, você tem uma filha de coração e espírito enormes”, ela olhou para a filha com um semblante orgulhoso e abriu um sorriso que logo deu lugar a lágrimas de alegria. Se abraçaram e a pequena menina disse “Viu, mamãe? Eu disse que ele existia!” e eu quis correr até lá e abraça-la, mas não seria propício. A jovem ao meu lado deve ter sentido o mesmo impulso, pois tinha olhos marejados. “Suzana?” eu disse numa voz polida. Ela me olhou com um sorriso. “Por ser uma garota tão boa e pensar nos outros antes de si mesma, eu tenho mais uma coisa para você.” e entreguei o embrulho com a boneca e o livro. Ela os largou cuidadosamente ao lado da cesta e caminhou em minha direção de braços abertos. Puxei-a num abraço e ela sussurrou em meu ouvido: “Obrigada, Papai Noel. Eu sabia que você viria”. Coloquei-a no chão e ela foi em direção à mamãe Noel dizendo “Você é ainda mais bonita que nos meus sonhos, mamãe Noel. O Papai Noel é um senhor de muita sorte” e também a abraçou. Era hora de ir. Entramos na “Van Trenó” e me despedi com um “HoHoHo! Feliz Natal!”. Por fim, nos deixamos cair num dos bancos, exaustos, porém de corações aquecidos e comentamos animados sobre a carinha das crianças e a singular história da menina de coração grande. Antes que eu pudesse perceber estávamos parados em frente à porta da minha casa. Era hora de me despedir e voltar a minha solitária realidade. “Bom, obrigado por essa experiência única” foi o que consegui dizer. Estava um pouco triste por já ter acabado quando ainda existiam tantas outras crianças sem natal por aí. “Divirtam-se com suas famílias e deliciem-se com a merecida ceia” me preparei para sair, mas parei ao ouvi-la dizer: “Você ficou ótimo de Papai Noel. Obrigada por um dos natais mais divertidos de que consigo me lembrar”. “Puxa vida! Você foi a Mamãe Noel mais instigante de todas. Eu quem agradeço” e me surpreendi ao dizer “Espero poder esbarrar em você em alguma outra oportunidade”, ao que ela retribuiu com um sorriso e disse “Sei que você provavelmente vai se atrasar para sua comemoração, mas eu não pediria se não fosse urgente. Posso usar seu banheiro?” ficou ruborizada e deu uma risada nervosa. “Não se preocupe. Eu vou passar o Natal sozinho, de qualquer forma.” falei num suspiro. “Você também?” ela respondeu surpresa. “Pois é.”. Descemos do carro e percebi que o motorista parecia apressado e exausto. Então disse “Pode ir em frente amigão, eu levo ela para casa. Tenha um feliz natal com sua família.” Ele sorriu, mas hesitou um pouco e olhou para a jovem ao meu lado, que assentiu e disse que ele podia ir tranquilo, mas antes correu até ele e agradeceu com um abraço. E rapidamente ele partiu rumo a sua esposa e filhos.

Caminhamos em direção à porta e eu me atrevi a perguntar se ela não gostaria de ficar e cear comigo. Ela sorriu e disse que seria ótimo ter companhia no Natal, para variar. Abri a porta e a esperei passar, o que ela estava fazendo quando parou de súbito e olhou para cima intrigada. “Algo errado?” perguntei. “Não, nada errado.” ela disse tão baixo que soou quase como um sussurro. “É que eu nunca tinha visto um visco na noite de natal” olhei para cima e ao baixar os olhos percebi que ela me encarava ruborizada. E ali,  enquanto nossos rostos se aproximavam e os lábios se uniam eu só conseguia pensar: “Obrigado, Papai Noel. Eu sabia que você viria”.



Caleb Henrique

Espero que eu tenha conseguido passar a mensagem que tinha em mente, então, por favor, me deixem saber o que acharam, sim? Aproveitem e me falem curiosidades, façam perguntas ou me contem sobre o livro que estão lendo no momento. É uma delícia responder os comentários de vocês.
Feliz Natal, Viajantes!

E assim me despeço, com a promessa de voltar.
Caleb Henrique - Viajante Literário

04 dezembro 2012

Diário de Bordo #9


Olá, Viajantes.
Estou morrendo de saudades de vocês, sério.
Demorei uma eternidade para fazer uma nova postagem porque a semana de trabalho foi corrida e eu queria concluir a leitura de Contos de Meigan, que por sinal É INCRÍVEL! Então, em breve tem resenha por aqui. Uma toda especial, por sinal, se o submarino colaborar e enviar minha câmera que está viajando há quase 30 dias. Sério, acho que a enviaram dos Estados Unidos, afinal, já recebi livros importados bem mais rapidamente. Enfim, deixemos minha revolta de lado e vamos a mais um texto de minha autoria (dos quais vocês obviamente já estão fartos).


PERFECT STRANGERS
 
Aproximou-se do balcão e com uma voz ébria e vacilante pediu uma dose do uísque mais forte que a casa possuísse. Era o terceiro bar daquela noite.
─ Vou querer o mesmo que o rapazote ─ disse um homem de idade avançada que também acabara de chegar e sentar por ali. ─ Com limão e gelo, por gentileza. — Virou-se para o rapaz e perguntou — Por que está bebendo meu camarada? Comemoração certamente não é, pois você não estaria sozinho. Tão moço assim, certamente está sofrendo por mulher. Estou certo?
Por um momento sentiu raiva daquele velho intrometido e quis mandar-lhe procurar outro cara para encher o saco, mas conteve-se. Parecia ser um bom sujeito afinal. Sua cabeça doía como o diabo e antes que se desse conta estava perguntando — É tão óbvio assim que eu sou um fodido azarado?
— Ora vamos, meu amigo. Não fique aí proferindo tolices. O que ela tinha de tão especial, afinal? — perguntou com um ar compreensivo de quem já teve essa mesma conversa centenas de outras vezes.
— Era possuidora do dom de me deixar em paz ou de me tirar toda ela. Levava-me aos extremos, na verdade; E me fazia bem, mais do que qualquer outra poderá vir a fazer algum dia. Sinceramente, se um dia me perguntassem 'Qual o traço que melhor a define?' eu responderia sem hesitar 'Ah, a bipolaridade, meu caro. É confusa feito o diabo e é isso que a torna perfeita. Eu me apaixonei por milhares dela. Cada dia uma diferente. Consegue imaginar? Se apaixonar todos os dias por uma garota diferente e descobrir que mesmo com as mudanças ela continua a mesma?’.
— É uma garota rara... — disse com um brilho familiar nos olhos — O moço vai me desculpando a pergunta, mas não posso evita-la: Se ela é tudo isso para você, por que não estão mais juntos?
Abriu a boca para responder, mas foi interrompido pelo barman, que silenciosamente entregava as doses de uísques aos seus respectivos donos. Tomou metade da sua em um único gole e teve certeza de que nunca iria se acostumar com aquele ardor na garganta. Pigarreou e disse finalmente num tom irritadiço ― Ora, meu velho, não é obvio? No fim ela é igual a todas as outras pessoas do mundo, ficou o quanto aguentou, mas inevitavelmente partiu; ou o senhor por acaso não sabe que é sempre assim? Todo mundo vai embora um dia.
As palavras pareceram atingir o homem como um soco e se o álcool já não tivesse consumido a maior parte de seus pensamentos teria se desculpado imediatamente, mas tudo que fez foi fitá-lo com um ar de incompreensão. Que tinha aquele homem afinal? Porque tanto interesse em sua desilusão? A raiva era crescente dentro de si.
― Não seja tolo ― disse o homem ― A vida é muito mais complexa do que o que você acha que sabe. Nem tudo o que vai volta, é verdade. Mas o destino está traçado, meu caro. Acredite em mim, eu sei do que estou falando. Você a ama? Levante a bunda desse banco, vá para a casa, tome uma ducha e durma. Espere a ressaca passar e vá à luta. Mas antes que cometa qualquer equívoco, alerto: Não seja insistente e não tente obrigá-la a voltar. Deixe-a livre, mas a deixe saber que você não desistiu de vocês. Se ela tiver de voltar, o fará por livre e espontânea vontade.
O conselho parecia sensato, mas toda angústia que havia em seu âmago se transformou em fúria e antes que percebesse estava gritando. ― E quem o senhor acha que é, afinal, para se meter nos meus problemas? Você não passa de um velho fodido que vem afogar suas mágoas e frustrações numa droga de bar ― estava acontecendo de novo, pela terceira vez naquela mesma noite. Sabia que seria expulso.
O velho caminhou até ele e ao invés de falar mal ou agredi-lo, sussurrou: ― Eu sou você, meu jovem. O destino está traçado, eu já lhe disse. Vá para casa e siga meu conselho. Se as coisas tiverem de dar certo, elas darão. Deixe a vida seguir seu próprio rumo e não sucumba mais ao álcool. Se tiver de sofrer, sofra. Posso afirmar que você voltará a sorrir alguma hora. ― E dizendo isso, virou-se e caminhou até a saída.
Ainda aturdido o jovem fitou o pulso do velho homem em busca de uma constatação. Estava lá. A mesma tatuagem que um dia optou fazer, um pouco mais desbotada, mas lá, palavra por palavra. “Until the very end”. Ele conseguiria lê-las mesmo num nível máximo de embriaguez, afinal, elas eram parte dele... Até o fim.

Assim, me despeço. Com a promessa de voltar.


31 outubro 2012

Diário de Bordo #8


Olá, Viajantes! Como estão? 
Faz um tempo desde o último vídeo da sessão Correeeios! né? Estou sem câmera, mas já fiz a compra de uma nova e assim que ela chegar gravo um vídeo novo, que provavelmente será enorme, já que eu terei muita, mas muita coisa para mostrar. haha
Fiquei em dúvida entre postar um texto ou uma lista de indicações e, por falta de tempo, escolhi novamente um texto. Eu sei, eu sei, o blog está vivendo de textos e resenhas, mas faz um tempão desde a última vez que eu resolvi parar em frente a TV e ver um filme, então, está explicado a falta com o "Das páginas para as telas", de qualquer modo, paremos com a delonga e vamos a um texto que fiz há um tempo e que tinha como pretensão ser uma carta para a Má, minha melhor amiga e ex-namorada. Vamos lá?


The smile of an Angel

Em certa calçada havia um jovem pintor em busca de inspiração. Buscava o que pintar e já estava por desistir quando a viu. Era jovem, provavelmente um ou dois anos mais nova que ele, tinha cabelos negros e aparentava pesar pouco mais de quarenta quilos. Pensou numa forma de abordá-la sem parecer inconveniente ou abusado, o que acontecia com grande frequência. Tinha de ser rápido, pois ela caminhava em sua direção.

—Boa tarde, moça. Desculpa lhe parar assim do nada, mas estava aqui em busca do que pintar quando a avistei e, sem nenhuma malícia, confesso que você é exatamente a imagem que eu buscava. Importar-se-ia se eu a pintasse?
— Perdão, moço. Estou um pouco apressada, na verdade — disse hesitante — mas em outra oportunidade me sentiria lisonjeada. — e seguiu caminhando apressadamente.
— Moça — disse o jovem pintor. Ela virou e o fitou, surpresa. — Entendo sua pressa, mas peço-te um favor apenas. Pode me presentear com vosso nome?Ela sorriu — quem era, afinal, aquele sujeito esquisito?
— Chame-me apenas de Má.
― Até mais ver, Má. E obrigado pelo sorriso.
Ela deu uma gargalhada surpresa e nervosa, virou-se e seguiu seu destino. ― Obrigado pelo sorriso, veja só… ― pensava.

O jovem pintor pegou o pincel e tentou vê-la outra vez, ali mesmo naquela tela. Foi pintando cada detalhe que sua memória fotografou. O pálido de seu rosto, o avermelhado de seus lábios, seu nariz e o tom levemente corado de suas bochechas ao sorrir. Ah, o sorriso, como poderia ser possível trazer à tela toda aquela luz que ele emanava? Lentamente foi pintando sem perceber as horas passando e a noite chegando. Nem ao menos percebeu o aglomerado de curiosos que iam e viam, paravam e observavam por alguns instantes antes de seguir seus caminhos em meio ao mar de gente. Pincelava como se este fosse seu último quadro, sem pressa, sem afobamento, absorvendo e passando um pouco de sua própria vida para que ela ali também vivesse. Seguiu pintando seus cabelos negros, que seus olhos não deixaram de notar ter um lado maior que o outro, sob os ombros. A camiseta branca, com estampa do Mickey Mouse e o modo como seus ombros arquearam-se quando lhe sorriu. Não faltava muito, embora ainda faltasse a tarefa crucial, que poderia salvar ou destruir a pintura. Os olhos. Tinha olhos oblíquos, não podia deixar de salientar. E misteriosos como o diabo. Daria tudo para conseguir decifrar os mistérios ali contidos, embora tivesse quase certeza de ser uma tarefa impossível. Aqueles olhos continham o mistério da vida, um pouco de desinteresse sobre tudo e ao mesmo tempo uma fascinação levemente encoberta. Não sabia descrevê-los, mesmo tendo-os claramente fixados na memória. Temia não ser capaz de pintá-los. Não parecia possível fazê-lo e por alguns instantes cogitou a possibilidade de pintá-la com olhos cerrados, mas lhe pareceu uma tremenda covardia e egoísmo privar o mundo de conhecer as maravilhas contidas naquele olhar. O fez, como se numa espécie de transe, pincelada por pincelada. Temia pelo resultado, mas não podia mais parar.Estava feito. Não havia necessidade de retoques ou efeitos, tinha certeza. Saiu do transe, a sensação era a mesma de quem acorda de um cochilo acompanhado por um sonho. Fitou a tela e surpreendeu-se. Ela estava ali, sorrindo. Havia conseguido.

Fitou cada detalhe do retrato meio-corpo que sua mente captou: ombros, pescoço, queixo, aquele lindo sorriso que mesmo com o aparelho metálico emanava uma luz que tentava escapar da tela e cegar-nos como punição por ver tamanha beleza a olho nu. E os olhos. Ah! Que olhos! Envolviam-no de uma forma hipnotizante e sentia vontade de passar a vida tentando desvendá-lo. Má. Esta sem dúvida era sua obra prima e, como tal, precisava de um nome. Não precisou pensar duas vezes antes de decidir-se, chamá-la-ia “The smile of an Angel”, o sorriso de um Anjo. Um anjo que ele nunca voltaria a ver, afinal, o destino não poderia ser tão generoso. O sino do relógio badalou oito vezes. Como o tempo pôde ter passado tão rápido? Reuniu seus instrumentos de trabalho e cuidadosamente carregou a tela até seu apartamento, que ficava apenas há algumas quadras de distância. Ao chegar, observou a pintura uma vez mais. Não podia vendê-la, pensou consigo mesmo. Nunca poderia. Tomou uma ducha e deitou-se, tornou a fitar o quadro e sua mente divagou — Chame-me apenas de Má ― até adormecer.

As batidas na porta o fizeram abrir os olhos e levantar num salto. Já havia amanhecido. Quem podia ser a essa hora? Não costumava receber visitas. Coçou os olhos tentando afugentar o sono e caminhou até a porta para enxotar o vendedor que o acordara. Abriu a porta e não pôde acreditar no que via. Era ela.


Caleb Henrique

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.
Caleb Henrique

19 outubro 2012

Diário de Bordo #7





Olá, Viajantes!
Perdoem-me novamente pela ausência. A construção do quarto ainda não acabou e isso está me dando nos nervos, mas felizmente já está bem mais perto. Enfim, ausentei-me esses últimos dias porque estava engajado num projeto pessoal que teve fim hoje. Então, por favor, me desejem sorte e mandem boas vibrações, eu realmente vou precisar. Esse post deveria ser a resenha de Contos de Meigan, mas esse projeto pessoal também me impediu de terminar a leitura do mesmo, então, peço novamente perdão. Tenho outras poucas resenhas prontas, mas, acho que vou optar por mais um escrito, dessa vez em parceria com a Larissa Rebecca que é, além de uma grande amiga, uma leitora fiel do blog. Todos prontos? Apertem os cintos!


LONG WAIT

—Sr. Jack Wayne — chamou a enfermeira educadamente — o Dr. John lhe espera.
O homem sentado a três cadeiras de distância levantou e seguiu em direção a porta indicada por ela. Observei-o entrar na sala. Parecia nervoso, mas não o culpo. Eu mesmo carregava minha própria parcela de nervosismo.
— Você parece nervoso — disse o homem ao lado com um sorriso complacente.
— E de fato estou um pouco — respondi um pouco relutante por ter de admitir.
— Imaginei que fosse — disse num tom agradável. — Tenho me consultado mensalmente com o Dr. John há cerca de um ano. Então não se preocupe demais, estará em boas mãos, posso lhe garantir.
O estranho na cadeira ao lado não fazia ideia do turbilhão de pensamentos e réplicas que davam voltas por minha cabeça e ainda assim tentava me apaziguar. Sorri em resposta. Olhei ao redor, e observei pessoas, tão diferentes e com olhares tão perdidos. Havia a senhora, encostada na parede e com a atenção na televisão, fixada no alto da parede. Também tinha uma moça, remexendo na bolsa, talvez buscando lembranças, parecendo que ia chorar. Um menino acompanhado da mãe, encarando-me com uma expressão insatisfeita. Havia tantos, e havia eu, que os observava para fugir de mim.
A porta do consultório se abriu, e o homem de minutos atrás saiu, trocou um breve cumprimento com o doutor e se foi. Chegou à vez da moça com a bolsa.
Minutos mais tarde ela retorna com uma receita em mãos. Olho para seu rosto e não o vejo mais feliz do que quando ela entrara.
Olhando para ela, entendi que não precisava estar ali. Não poderia me consertar com uma caixa de remédios e uma conversa de minutos com um desconhecido. Seria ali, naquele ambiente nada feliz, que me acharia? Ali, onde tudo era automático? O que eu estava fazendo aqui?
E eu quis sair de lá, sentar em um banco qualquer e apreciar o vento. Andar sem destino certo, sem planejamentos.
Não precisava esperar minha vez, em meio a tanta desolação. Não precisava entrar naquele consultório e utilizar de remédios.
E desisti dessa consulta. Abri a porta e saí correndo dali. Não sabia onde estava. Não o corpo, e sim a mente. Talvez não consiga me achar, mas eu posso tentar. Pelo menos uma vez. Entrei lá sem saber que eu não precisava entrar em lugar algum, o que eu estava precisando e não tomava conhecimento, era entrar em mim.

Caleb Henrique e Larissa Rebecca


Agora, é a vez de vocês: Como estão se sentindo? O que acharam? O que tem lido nos últimos tempos? Vamos lá, falem comigo, gosto de conversar com vocês :)

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.
Caleb Henrique

07 outubro 2012

Diário de Bordo #6



Olá, viajantes!
Essa semana tomei a difícil decisão de me afastar temporariamente das redes sociais, mas não se preocupem, eu nunca voltarei a me afastar do blogue. Então, essa semana eu pretendia fazer um post diferenciado, mas como não me restou tanto tempo quanto eu gostaria postarei mais um dos meus textos que ninguém quer ler, mas eu faço questão de postar. Prontos para viajar?



Estrangeiro
 
― Para onde, moço?
― Para o lugar mais bonito e distante que esse ônibus puder me levar.
 
Passagem em mãos, mochila nas costas, mente e coração abertos ao desconhecido. Que a vida me surpreenda, pensou antes de subir o primeiro degrau do ônibus amarelo a sua frente. Não pôde deixar de notar o fato de não haver um único rosto conhecido em meio aos passageiros e sorrir; O desconhecido é fascinante. Sentou e com discrição observou os passageiros em seu campo de visão, como de costume deixou  sua imaginação fluir e presentear cada passageiro com uma história diferente. O rapaz de terno e olhos cansados, por exemplo, está voltando para sua casa, na cidade em que cresceu,  após uma exaustiva semana de trabalho. Talvez tenha sua própria família, esposa e filho a lhe esperar.  Raízes fincadas. A frágil senhora de chapéu com laço, possuidora de uma sabedoria brilhante nos olhos  ―  de quem viu e viveu muita coisa  ―  por sua vez,  provavelmente  veio ao médico  para  um check-up rotineiro. E assim prosseguiu, dando um destino e raiz a cada um deles.
 
O ônibus já estava quase lotado e a poltrona a seu lado continuava vazia.  Pelo visto,  esta  será uma viagem sem interrupções. Tirou o relógio do bolso e constatou, só mais dois minutos até a partida.  Tique-taque, tique-taque, tique-taque. O motorista gira a chave e o ônibus cria vida. ― ESPERA!  Também vou embarcar  ―  Soou  uma  estridente  voz feminina  que com  passadas rápidas nos degraus  embarcou; olhou para o motorista e sussurrou um  agradecimento.  A dona da voz caminhou em direção ao estrangeiro, conferiu o número da poltrona, lhe deu outro sorriso cansado e sentou-se. Trazia uma mochila,  que  logo  apoiou em seu colo e inconscientemente abraçou. O ônibus começa a se locomover.
 
― Belo chapéu ― disse com um sorriso.
― Obrigado ― O jovem viajante sorriu em resposta.
― Viajando a passeio? ― perguntou educadamente.
― Não especificamente. ― respondeu.
― Ah... Perdão, não quis soar indelicada. Isso não me diz respeito ― disse envergonhada.
― Não há porque desculpar-se,  você  não foi indelicada. Viajo rumo ao desconhecido, sem fincar raízes. Se a vida chama, eu vou ― disse sorrindo.
― Puxa... ― respondeu surpresa ― Então você não tem família, ou amigos?
― Não mais. ― sorriu culpadamente ― Vivo do novo, embora de vez em quando titubeie e permaneça mais tempo do que deveria em algum lugar, criando laços.  Assim  posso dizer que cativei e fui cativado algumas vezes durante a  jornada,  embora  meu coração aventureiro negue-me as raízes ― disse e permitiu que sua mente vagasse alguns instantes.
― Parece solitário ― disse ela, mais para si que para o jovem em sua frente.
― E por vezes é ― replicou ― só que a solidão  também  pode vir a ser uma companheira melhor do que se imagina. Eu mesmo, por exemplo, gosto muito do silêncio que a acompanha  ―  sorriu apaziguado.  Mas costumo conhecer muita gente nova, com hábitos e costumes diferentes, que compartilham e trocam comigo suas histórias, enriquecendo-me de forma incomparável. E eu mesmo tenho minha pequena porção delas.
― Puxa, falando assim parece incrível! ―  sorria encantada. Tinha olhos brilhantes, não pôde deixar de notar, e cabelos negros pouco abaixo do ombro  ― um lado  aparentemente maior que o outro. Tentou imaginar sua história, mas era difícil deduzir. Havia algo misterioso nela.
 
Não faria perguntas, isso é certo, afinal essa era uma das principais regras que a vida lhe ensinara:  Se não quer criar raízes, não faça perguntas desnecessárias.  Seu rosto ruborizou, percebeu que era observada. O jovem rapidamente desviou o olhar em direção a janela, culpando-se por tamanho descuido.  Passaram-se minutos sem nenhuma palavra trocada. Silêncio esse que só foi quebrado pela voz do cobrador, três fileiras à frente, conferindo as passagens. ― Então, há quanto tempo está na estrada? ― perguntou envergonhada.
― Não muito, alguns pares de meses apenas― ele respondeu. Silêncio.
― Estou fugindo de casa ― disse envergonhada. Suas bochechas estavam fortemente coradas  ― cansei de ouvir sermões e ser repreendida por minha mãe ― Silêncio. ― Não sei bem para onde ir. Tenho algumas amigas numa cidade próxima, inclusive, estava indo para lá, mas seria fácil demais ser descoberta. Será que poderia me juntar a você nessa jornada?
― Não acho que seja uma boa ideia ― o jovem respondeu, surpreso.
― Claro que não, perdoe-me, não sei onde estava com a cabeça, afinal, nós só nos conhecemos há cerca de vinte minutos  ―  O rubor em sua face havia aumentado numa proporção imensa.
― Não é por isso ― ele disse um pouco receoso ― você tem uma mãe que provavelmente se preocupa  muito com você,  que te dá sermões e repreende, na maioria das vezes,  para o seu próprio bem. Eu sei que estou analisando a situação de fora e que na realidade os sermões podem ser bem injustos e revoltantes, em sua grande parte. Mas a preocupação é iminente. Além do mais, se vier comigo terá de se despedir de quase tudo que gosta ou já gostou nessa vida. Pessoas, objetos e até mesmo seus  lugares  prediletos. E embora eu possa te levar a lugares fantásticos e te presentear com infindáveis  aventuras, você precisa admitir que  há muito  de que  se  abrir mão  ―  agora era ele quem estava corado.  ―  Se quiser aceite meu conselho, vá para a casa de suas amigas, ligue para sua mãe e desculpe-se. É provavelmente o mais sensato a ser feito agora. ― Ela o fitou ― parecia haver borboletas em seu estômago ― e teve  certeza de que viveria aventuras fantásticas se decidisse juntar-se a ele, mas também havia o medo. Não seria sensato, afinal. Estava decidida, faria o que o jovem lhe aconselhou e voltaria para a segurança de seu lar.  ―  Tem razão  ―  disse  ―  não devo preocupá-la mais.  Obrigada pelo conselho. E por dividir sua história comigo  ―  sorriu-lhe e, como se por obra do destino, o ônibus parou na rodoviária em que ela precisava descer. Fitou o jovem estrangeiro e com o coração apertado e um sorriso no rosto disse:  ―  Que os bons ventos te levem, moço.  ―  Enquanto pensava,  E que ventos  melhores te tragam de volta para mim.  Desceu do ônibus e sem olhar para trás, partiu.
Da janela o jovem observava a única garota por quem seu coração um dia acelerou partir. O ônibus continuou seu caminho e ele observou-a enquanto pôde.  E que ventos melhores te tragam de volta para mim, pensava.  Seguiu olhando pela janela, observando os campos verdes darem lugar a  canaviais, montanhas, prados  e uma infinidade  de  belas  paisagens.  Que a vida me surpreenda, pensou, até ser embalado por um sono leve e despreocupado.
 
Caleb Henrique


Assim me despeço, com a promessa de voltar 
E como há braços, abraços.
Caleb Henrique